quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

A Esquerda e a Religião [2] - racionalidade e fé

NO DEMORADO DEBATE entre a ideologia de «esquerda» e a religião, os ganhos e os perdidos são contabilizados no vazio daqueles que não conseguem discernir uma forma de coabitar tais universos tendencialmente paralelos. Aprecio bastante o termo 'tendencialmente', uma vez que nos remete para uma ideia de um processo continuado mas cujo rumo é passível de ser alterado. A «esquerda» racionalista por natureza, advoga o conhecimento da experiência, do labor da razão humana e rejeita o pressuposto do conhecimento dado, isto é, de um conhecimento fruto não de um trabalho intelectual mas antes resultado de uma emanação divina. Ao partir de ideias de racionalidade e de um positivismo comtiano, a «esquerda» ideológica jamais aceitará outro canal de saber que não o resultado da vivência humana e da produção racional. A religião, por seu turno, assenta nos primados teológicos de uma vivência directamente identifica e conduzida por uma vontade divina, matéria de origem da vida. Ao constituirem-se como discursos distintos de uma mesma realidade: experiência social, a racionalidade e o pragmatismo da esquerda e a teologia, apresentam-se como rivais no campo teórico da construção de representações dos códigos sociais.