Como chegar à esquerda
Cheguei a este blogue por caminhos inesperados. Quando se pensa em esquerda, sente-se uma imensa perplexidade. Será que o conceito já se limita uma intenção normativa? Curiosamente, esta perplexidade ou angústia é congénita à própria adesão ao conceito. No caso do subscritor, começou a interrogar-se sobre o que significava ser de esquerda, no dia em que percebeu que era de esquerda. Talvez esse desassossego seja intrínseco à opção: talvez ser de esquerda implique uma herterodoxia constituinte que nos leva de imediato a interrogar porque nos definimos como tal. Claro que as ortodoxias de esquerda ou ditas como tais parecem ser (desde os dias do Terror) a negação desta hipótese: são tantas as dogmáticas certezas sobre o que é estar à esquerda que se corta a cabeça de quem está à direita. A pergunta seguinte será: não terão as ortodoxias características "de direita"? De qualquer forma, chega-se ao Blogue com esta pergunta essencial: estou aqui porque me defino através de uma afirmação de algo que sistematicamente interrogo. Como há 35 anos que vou formulando a questão, é natural que inaugure a minha presença com a reafirmação desta perplexidade.