Sarah Palin, o pior da política americana
QUANDO JOHN MCCAIN escolheu Sara Palin para número dois de um possível governo republicano, encabeçado por si - candidato -, almejando os votos do eleitorado feminino, fê-lo, nota-se, de forma profundamente leviana, ou pelo menos sem recurso à análise do programa político da governadora do Alaska. Sarah Palin só tem, com o eleitorado feminino, a proximidade de natureza sexual. As mulheres americanas não votam apenas pelo género. Tomar isso como medalha de campanha é reduzir o eleitorado feminino intelectual e politicamente. McCain tem um dos piores defeitos dos «republicanos»: a visão simples da sociedade dominada por dicotomias de base, como o género (papéis distintos entre homens e mulheres), a raça e a religião. É nesse reducionismo que reside a escolha de Sarah Palin.
PALIN tem um programa político bem definido: é contra o uso de contraceptivos, é contra a educação sexual nas escolas, advoga a abstinência sexual, defende o ensino do criacionismo nas escolas, é anti-ambientalista (aprova explorações petrolíferas na reserva natural do Árctico) e actua de forma censória, colocando uma série de livros como proibídos nas bibliotecas. Enfim, Sarah Palin é, depois de George W. Bush, o que de pior pode acontecer aos Estados Unidos e ao mundo. À excepção de um eleitorado conservador que hasteará bandeira defendendo uma sociedade ultra-conservadora e profundamente demarcada pela religiosidade censória, mais nenhum eleitorado verá em Palin uma escolha progressista, particularmente as mulheres. A mulher americana quer uma sociedade mais livre, mais justa, menos demarcada pela desigualdade sexual, mais laica, onde a sexualidade não é tabu e o ensino da educação sexual nas escolas é um caminho para a prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis. Ou seja, as únicas mulheres que poderão aprovar e apoiar Palin estão todos os dias na Igreja, em lares ou em cemitérios - beatas, senhoras de idade ou já faleceram. O puritanismo americano não está em voga. Acredito que Sarah Palin também não.