segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Poder, Pode...

CURIOSAMENTE hoje pensava nisto das agregações simbólicas. Porque razão havemos de limitar a nossa existência a agrupamentos sociais tipificados? Porque motivo a experiência humana de interacção social requer que haja uma integração medida em termos de grupos de pertença e grupos de referência? Porque nos condicionamos, nos auto-aniquilamos, em função de certas estruturas pré-estabelecidas e às quais vamos cedendo a nossa identidade em bruto?
Estas indagações referem-se tanto a clubes desportivos, partidos políticos, representações religiosas, quanto a sistemas de educação formais, valores e ideias. Obviamente que nenhum homem é uma ilha, como dizia o filósofo Teilhard de Chardin, e que naturalmente - em função das inserções e pressões sociais que vai sendo sujeito - constroi um reportório de representações e leituras do real que, de uma maneira ou de outra, acabam por se inserir em uma ou mais correntes de pensamento. Ora, se esta constatação não pressupõe qualquer condicionamento imediato, a passagem da própria teoria política para a experiência política, forçamente, requer uma modelação destas ideias. Quer isto dizer, uma pessoa ser de esquerda ou de direita, e afirmar-se como tal (claro está), significa um negócio entre a liberdade total de pensamento e a contribuição/inserção num contexto político-ideológico. Nisto, é forçoso concordar com o Professor Eduardo Correia, fundador do Movimento Mérito e Sociedade, as designações partidárias-ideológicas de «Esquerda», »direita» e «centro» são velhos conceitos que vão perdendo a legitimidade prática, à medida que a experiência política requer mecanismos práticos de resposta que não a recorrência constante à ideologia. É por isso natural que uma pessoa pense à esquerda sobre direitos humanos e á direita sobre políticas fiscais. Não aceitar isto como legítimo é renegar a liberdade de pensamento do sujeito.
Que me diz Isabel?