Distribuição de Riqueza
PESEM OS GRANDES AVANÇOS do último século, as assimetrias sociais permanecem como características das nossas sociedades - marca que as sociedades ocidentais ainda não foram capazes de suprimir -; essas assimetrias, embora relativizadas pelo capitalismo em certos casos, foram também tornadas produto de uma manifestação anti-capitalista, que esqueceu ou optou por esquecer que a hierarquização social sempre foi modelada pela distribuição e acesso à riqueza, e que tão-pouco é um fenómeno moderno. Aliás, a estratificação social começa agora a ser desconstruída, rasgada, pelas possibilidades de ascensão e mobilidade sociais.
A distribuição de riqueza - desigual - favorece a assumpção de uma realidade contrastante, em que ricos e pobres são ainda classificações extremamente aplicáveis e reais. Ora, essa riqueza extrema - que se opõe a uma vigente pobreza extrema - traduz-se em comportamentos de grande ostentação e de lazer luxuoso.
No entanto, jogos de rapazes são sempre jogos de rapazes, seja qual for a sua classe social. Descalços e nas ruas, em clubes ou campos relvados, em playstations ou por caricas, futebol é sempre futebol. E casos há que a riqueza imesurável permite passar da playstation para a vida real, aplicando as mesmas directrizes. Os novos proprietários do Manchester City, clube da primeira divisão inglesa, transferiram as regras do Football Manager para a realidade. A brincadeira de milhões passa por uma fortuna disponível para contratar Cristiano Ronaldo: 165 milhões de euros, no maior negócio da história do futebol.
A exorbitância dos valores envolvidos no negócio obrigam-nos a pensar, mais uma vez, na distribuição da riqueza. É que uma fortuna destas fazia muito por quem tem muito pouco.