Lucidez Embriagada
HÁ MUDANÇAS ESTRUTURAIS em marcha. O acordo ortográfico e a Cimeira da CPLP são apenas os palcos institucionais da metamorfose. Os códigos sociais em confronto trabalham inconscientemente para a reformulação de um paradigma identitário. As alterações sociais criadas pela imigração massiva de culturas distintas -- particularmente a brasileira -- aceleraram os processos tradicionais de mudanças e rupturas. A mobilidade social, a globalização e a maturação da consciente de uma identidade transportam as bases da alteração da estrutura vigente. Naturalmente as rupturas acarretam uma carga q.b. de confrontos subjacentes. A matéria da imigração e as mudanças sociais -- vislumbra-se um carácter social nacional -- são terreno arenoso. A discussão acerca de uma nova identidade requer uma abordagem melindrosa mas coerente. Há na sociedade portuguesa um sentimento de rejeição e de bloqueamento da mudança. Onde outrora era possível encontrar um fascínio claro pela exótica cultura brasileira -- naturalmente motivada pela distância, pelo desconhecimento e pelos fluxos de imagens filtradas --, hoje encontra-se um desgosto xenófobo motivado por uma imigração de baixa formação cívica e cultural. Essa postura anti-relacional funciona como bloqueio de uma mudança que opera no subsolo das relações sociais.
A rejeição do acordo ortográfico é o mais claro exemplo desta contra força social. A política da língua portuguesa no mundo requer uma uniformização, padronização e aproximação dos actores sociais constantes do processo. O isolamento linguístico (e deste modo político) não representa uma estratégica. O colonialismo esgotou-se no tempo. o Brasil, à luz da nova ordem internacional, é um actor emergente com propensão a parte integrante do ordenamento global. A associação a este país não é uma opção mas uma inevitabilidade política, que o governo português tem cada vez maior consciência. Contrariamente a essa consciência política, há uma desaprovação social latente, que funcionará sempre como estanque do processo (sabemos que um paradigma requer uma aceitação social para que seja operante). Nesse sentido, a leitura de diversas opiniões contrárias (link) e até mesmo carregadas de um caldo xenófobo, não têm se não a ver com confrontos sociais camuflados. A língua é só uma desculpa.
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REVISTA DE BLOGUES (incompleta):
"grandes gestos para uma pequena CPLP", in Alto Hama
"o cavaquismo caiu na rua", in Câmara Corporativa
"ainda o acordo ortográfico", in O Hermenauta